19 de Junho de 2013
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Yakuza Dead Souls e o massacre de zumbis no bairro japonês

Por - 06 mai, 2012 - 12:21

23 Comentários

Yakuza: Dead Souls não vai salvar o gênero de terror. Ele nem bem é um jogo de terror, aliás. Ele é um jogo de matança de zumbis que vai fazer a sua alegria, até que os loadings infinitos e a falta de orientação vençam a sua paciência.

A princípio, esse é um jogo que não faz sentido nenhum. A série Yakuza, que nasceu no PS2 no distante 2005, foi criada por Toshihiro Nagoshi e sempre falou dos dramas e histórias da máfia japonesa de um jeito bem sério, ainda que com piadas espalhadas por aí e senso de humor. Jogar zumbis na história, então, parecia uma esculhambação – imagine mortos-vivos nos filmes de O Poderoso Chefão ou invadindo a mansão da Família Soprano.

Mas foi isso que aconteceu com os mafiosos de Tóquio, e o resultado não é tão ridículo quanto nós imaginávamos. Estamos de volta a Kamurocho, o distrito fictício de Tóquio que é recomendado apenas para maiores de 18 anos, com todas as suas baladas, karaokês, lanchonetes fast food e casas de tolerância. E alguém está usando mortos-vivos para atacar escritórios da Tojo-kai, o clã mafioso local. Nossa sorte é que temos esses malucos do vídeo abaixo:

Dead Souls segue o jeito de ser dos Yakuza que vieram antes dele: é um mundo aberto com menos áreas para explorar e muito mais minigames para jogar. A região é grande, cheia de lojas e de gente disposta a conversar. Aí temos uma pequena infestação de carne podre ambulante, a Força de Auto-Defesa do governo Japonês isola as áreas afetadas da cidade com grandes barreiras metálicas, e é você quem deve fazer a faxina de verdade.

Enquanto em qualquer (bom) Resident Evil, Silent Hill ou até Dead Space boa parte da sensação de terror vem da miséria de balas e de vida, Yakuza não quer saber muito disso: ele é um senhor simulador de abrir buracos de bala em mortos que andam. Você tem espaço para carregar várias armas ao mesmo tempo no seu bolso imaginário, as balas vêm em quantidades generosas e a satisfação de distribuir headshots cirurgicamente ou triturar zumbis com uma metralhadora giratória é igualmente alta. O terror vem da quantidade massiva de mortos-vivos que caem do céu como cocôs de pomba, e do leve desespero que bate quando há criaturas malditas querendo morder você por todos os lados. É uma experiência parecida com a de Dead Rising, mas com menos carrinho de supermercado e mais metralhadoras.

Dead Souls é, simplesmente, ameaçador e, ao mesmo tempo, divertido. Existe uma certa felicidade nervosa em se livrar de maneira rápida, eficiente e violenta de uma onda de coisas que nos ameaçam. Você entende.

A sua vida de caça-zumbis é pontuada pelos eventos da história, que reúne o eterno protagonista Kiryu Kazuma (que, antes dos tiros, tenta derrubar zumbi na porrada), o seu colega potencialmente sadomasoquista Goro Majima (que tem as cenas mais engraçadas), Ryuji Goda, o antagonista de Yakuza 2 (que agora faz takoyaki e tem um braço-metralhadora), e Shun Akiyama, o agiota-pegador de Yakuza 4.

Mas sua jornada pelo bairro japonês também é pontuada por toneladas de minimissões que rendem dinheiro, itens, pontos de experiência, companheiros e uma imersão maior no que está acontecendo em Kamurocho. Em cada episódio, a zona de quarentena muda e aumenta, então você sempre pode ter uma perspectiva diferente do que está acontecendo da cidade através dos moradores.

Como a maioria das missões é bem variada e, normalmente, engraçada, você só tem mais incentivo para completar tudo o que puder. E, diferente de um Dead Rising, que te mantém preso ao relógio com dezenas de objetivos com prazo de validade, você tem todo o tempo do mundo para decidir se quer ir para a história, se quer completar uma missão, só ir brincar de tiro ao alvo nas zonas infectadas ou… não fazer nada. Ir no karaokê. Jogar fliperama. Tomar sorvete. Qualquer coisa. Visite Kamurocho nas férias.

Burocracia no meio do caminho

Mas ao mesmo tempo em que Dead Souls mostra que tem muita coisa divertida, ele também parece se esforçar ao máximo para que você não desfrute de nenhuma delas. E logo de cara: ao colocar o disco no seu PlayStation 3, o primeiro presente que o jogo dá é uma animação de uns 40 segundos que se repete por 20 minutos até que a instalação, de 5 GB, acabe.

E a partir daí começa a grande enxurrada de entraves técnicos e péssimas decisões de design. E não estou falando só dos loadings, que duram cerca de um minuto cada e conseguem matar qualquer empolgação entre uma missão e outra. Kamurocho, por exemplo, é um distrito grande e com dezenas (mesmo) de lugares para visitar. Mas você vai sofrer muito para se localizar por lá, porque até olhar as localizações certas no mapa (ou até se acostumar com a geografia local, 10 horas depois), você nunca sabe ao certo que lugar é o quê, em qual é possível entrar e onde fica aquela rua que o NPC mandou você ir.

Não existe um botão que leve direto ao mapa, então é sempre preciso perder tempo entrando no menu, selecionando a opção e depois dando zoom, já que a versão pequena dele não serve de muita coisa. E mesmo com os táxis que servem de “teletransporte” entre algumas poucas regiões da cidade, a locomoção, via de regra, demora horrores.
Talvez esse seja um mal da vida moderna: um mundo cheio de setinhas e indicadores na tela. Mas, para um jogo tão complexo como esse, esperava-se que, pelo menos, houvesse qualquer tipo de ícone, marcação, indicativo, dica, atalho, qualquer coisa no mapa – não só cores e nomes.

E apesar de existir um tipo de mira automática – se houver alcance, sua arma vai acertar alguma coisa – você ainda pode segurar um botão para ter mais precisão… o que sacrifica a sua capacidade de andar – estamos de volta a Resident Evil 4. Os personagens são, de modo geral, ruins de manobrar e os golpes corpo-a-corpo não fazem grande diferença.

São coisas aparentemente pequenas que, hora após hora, vão se acumulando e transformando em aborrecimentos reais, como os loadings e a falta de orientação, que vão minando sua vontade de jogar.

Chatices de design à parte, Dead Souls é um jogo de ação e de zumbis bastante competente. Se fosse um pouco mais polido, ficaria como um sério candidato ao novo “verdadeiro” Resident Evil – ao contrário da atrocidade chamada Operation Raccoon City.

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YAKUZA: DEAD SOULS

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yakuza dead soulsYakuza: Dead Souls, parte da série que nasceu em 2005 no PlayStation 2, é um game de ação com zumbis em mundo aberto divertido e que não exige muito esforço: é só chegar, mirar, atirar e explodir. Ele tem vários problemas técnicos que podem esgotar sua paciência (e empolgação), mas compensa isso com uma tonelada de conteúdo, uma história boa, momentos engraçados e homenagens intermináveis ao universo dos exóticos mafiosos japoneses.

Plataforma: PlayStation 3
Desenvolvimento e Distribuição: Sega
Lançamento: 13 de março de 2012
Preço: R$ 199,90

 

 



23 respostas para “Yakuza Dead Souls e o massacre de zumbis no bairro japonês”

  1. BACONinfinito disse:

    Preço: R$ 199,90 ,este é o ÚNICO motivo para eu não ter um console,jesus sai muito mais barato comprar um pc caro e ficar comprando jogo de 25-90 reais .

    • @manololss disse:

      Só quem não sabe procurar ou não da valor ao dinheiro compra por esse preço. Jogo mais caro que peguei custou R$120 e vendi usado por R$70, sabendo onde comprar vale muito mais a pena o preço de um console ao de um pc gamer + atualização de hardware que será necessária pelos anos.

      • Dario disse:

        Papinho bonito, mas não condiz com a realidade (legal)… vai me dizer que vc paga os 60% da importação? Não né, e provavelmente o cara que te manda o jogo coloca que ele custa 10 doletas, o que obviamente não é verdade. Para piorar o Dólar está a R$ 1,92.

        O que o cara quis enfatizar nas entrelinhas é a taxação absurda (e a ganância) da venda de jogos para console aqui no Brasil. Coisas que não acontecem na venda de jogos para plataforma PC. #FIKDIK

    • _Mortal_ disse:

      Já ouviu falar em importação? Sai o mesmo preço que os jogos de PC. =)

  2. Le_Ramiro disse:

    Esta empresa é cega por vender tal jogo a esse preço.

  3. dcloko disse:

    Tenho que confessar: esse "novo visual" da Kotaku ficou um m3rda!!

    Tem 4 ou 5 notícias novas e elas se repetem abaixo e na lateral direito! Há notícias que aparecem 3 VEZES na mesma página! Que coisa tão escrota!

    Sério…. mudem isso que tá uma vergonha…

  4. Envy disse:

    Apelaram pra zombie?

  5. ArmagedonNGB disse:

    "PlayStation 2, é um game de ação…." ???

  6. feliperene disse:

    Esse jogo evidencia como os desenvolvedores japoneses estão na merda.

    • @MicroMachado disse:

      Dark Souls, Dragon Quest IX e praticamente tudo que a Nintendo fez discordam de você.

      • @JeyPih disse:

        uma verdade foi dita.

        eu acredito que a industria japonesa só perdeu sua majestade na area dos games,mas ainda é forte,e sempre vai ser um problema para conconrrência,é só pararem de pensar só em dinheiro com qualquer projetos meia-boca (oi,Capcom) que os games Orientais ainda voltam pro topo.

      • feliperene disse:

        Tem coisa boa ainda, mas o todo parece mais com Dead Souls do que com esses que você citou. Tem muito jogo dessa geração feito no Japão com cara de coisa da era do PS2.

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