19 de Maio de 2013
daigo_kotakubr

Uma palestra motivacional com Daigo Umehara, campeão de Street Fighter

Por - 19 abr, 2012 - 10:39

26 Comentários

Daigo Umehara está no Guinness com o recorde de “jogador mais bem-sucedido em grandes torneios de Street Fighter”, e se tornou mundialmente famoso por aquela batalha com Justin Wong no EVO de 2004. No seu livro, Kachitsudzukeru Ishiryoku (“A Vontade de Continuar Vencendo”), ele descreve suas origens e experiências como jogador, além de oferecer conselhos que podem ser aplicados não só para quem curte games, mas para pessoas de todos os estilos de vida. Aqui estão alguns deles.

Aqueles que vencem e aqueles que são vencedores

Um dos pontos principais do livro de Daigo é um dos mantras pessoais do jogador: “99,9% das pessoas não consegue continuar vencendo”. Apesar de muitas pessoas poderem vencer, poucas delas vencem e um número menor ainda consegue entender o que é preciso para ser um vencedor. Para ser um vencedor, você precisa perder. Daigo escreve que, para continuar vencendo, “a pessoa precisa encontrar e manter um equilíbrio delicado entre nunca ser arrogante depois de uma vitória, nunca ter autopiedade depois de uma derrota e encarar e focar no jogo em si”

Não há caminho fácil

Graças à era da informação, a internet está cheia de informações de como vencer. Coloque o nome de um jogo seguido de “wiki” na busca do Google e você verá sites completamente dedicados a qualquer coisa que você queira saber (e um pouco do que você não queria saber) sobre como vencer um jogo. Apesar de essas informações trazerem métodos eficazes de como ser melhor, elas não te ensinam como ser o melhor. Daigo escreve que ele, de propósito, não usa nenhum método, estratégia ou ataque que a comunidade dos jogadores de luta, como um todo, acredita ser mais vantajosos. “Ataques úteis não podem ser aplicados amplamente”, diz Daigo. “Depender deles significa não crescer como jogador. Você só está dependendo do sistema em vez de pensar por si só”.

Você não pode ser o dono de uma estratégia

Uma das experiências narradas por Daigo é quando ele percebeu que estavam usando uma estratégia que ele havia descoberto contra ele próprio durante uma partida. Gastar tempo e se esforçar para analisar e desenvolver um método só para ver outra pessoa usá-lo parece injusto, mas ele rapidamente teve que aceitar que não existe isso de “exclusividade” nas estratégias. “Então, o que é que você pode chamar de seu e que faz com que você continue vencendo? É o esforço e o conhecimento que você usa para desenvolver uma nova estratégia”. Daigo reflete: “A habilidade de desenvolver uma nova ideia é muito mais importante que a ideia desenvolvida”.

Não “leia” seu oponente nem se concentre nas fraquezas dele

Ao “ler” seu oponente (memorizar seus hábitos, defeitos e métodos) você tira o foco de você mesmo e no que está fazendo. Conhecer os hábitos do seu oponente realmente pode aumentar suas chances em uma partida, mas depender desse conhecimento leva a métodos muito particulares que raramente vão funcionar com várias pessoas. Isso impede o crescimento do jogador. Umehara escreve: “A verdadeira força é alcançada quando você consegue ler seu oponente, mas o derrota sem explorar suas fraquezas”.

A diferença entre um objetivo e um propósito

Outro grande tema no livro de Daigo é o reconhecimento e a distinção entre um objetivo e um propósito – vencedores sempre têm um propósito. Daigo escreve que toda vez que priorizou o objetivo (o resultado de uma competição), ele falhou. Foi só quando o propósito de crescimento tornou-se mais importante que o objetivo temporário de vencer um torneio que ele conseguiu ir além, e as vitórias vieram junto. “Objetivos podem dar força às pessoas. Eles permitem que se busque mais força, Mas se você fica obcecado com o objetivo e o objetivo se torna seu propósito, elas param de ir tão bem”.

No geral, Daigo escreve da posição de alguém experiente e, apesar de não ser necessariamente humilde, ele nunca soa pedante. Não é nada que um palestrante motivacional não tenha falado antes, mas as histórias da própria jornada de Umehara dão um pouco mais de peso às palavras. Acho que podemos aprender uma coisa ou duas de um dos maiores jogadores do mundo.



26 respostas para “Uma palestra motivacional com Daigo Umehara, campeão de Street Fighter”

  1. Lulavenera disse:

    Gostei.

  2. Fatalis_ disse:

    Sabias palavras!

  3. IruDraco disse:

    ainda bem que não vivemos mais na epoca em que achavam que games eram apenas "brinquedos caros" … hoje ele é reconhecido como algo instrutivo … esta ai um exemplo!

    • HakhureiSan disse:

      Com excessão do Kinect.

      Não consigo aceitar que aquilo seja um acessório para games e ainda o vejo como uma forma bizarra e escrota de transformar pessoas "normais" (alguém normal não compra aquilo) em macacos dançarinos.

      • IruDraco disse:

        Cara, vc esta sendo muito radical … o Kinect é sim algo instrutivo! … ja usam o Kinect (assim como o Wii) em programas de recuperação de pessoas com problemas fisicos e motores e auxiliando no aprendizado de outras, e mesmo pessoas sem problemas físicos se beneficiam e MUITO brincando de "macacos dançarinos" é uma atividade fisica e MUITO divertida que faz tanto bem quanto brincar de "macacos bizarros correndo atras de uma bola"… ahh e kinect nao tem só jogo de dança … fica a dica, vale a pena tentar!

        • HakhureiSan disse:

          Vish

          • Lulavenera disse:

            Acho que vc vai preferir não ter escrito isso do Kinect… nada contra vc ou contra erros, eu mesmo quando a Apple anunciou o iPad eu pensei "que merda? pra que serve isso? quem é que vai comprar isso ae?" e hoje o iPad é talvez o aparelho mais desejado do mundo (não tenho). Enfim, guardadas as devidas proporções, o Kinect (tbm não tenho) é um dos aparelhos mais ousados que já vi em tempos recentes, pois se propõe a coisas que quando eu era criança só imaginava existirem quando eu tivesse velho e de bengala… é a forma mais humana de interação digital… obviamente está aquém dos nossos desejos atuais, mas faz muito sucesso e o mais importante é a ousadia com que foi lançado e o legado que ele vai deixar para os próximos aparelhos mais evoluídos… o Kinect é o início.

          • Tio_Z disse:

            Na verdade ele é a continuação. Antes dele já haviam testado e tentado até arcades de jogos de luta (não lembro se foi tekken) com leitores de movimento. Kinect só ficou menor e possibilitou seu uso doméstico.

            Infelizmente é um gizmo extremamente caro com componentes extremamente porcos que impede que ele seja usado como deveria, resultando em jogos com interação mediocre a menos que você goste de dançar ou fazer poses.

            E bom, com relação a desejos de consumo…vai entender. Justin Bieber e Restart estão ai como o nicho estranho da música e rolando na grana.

          • Lulavenera disse:

            Mas isso pode mudar e creio que o Kinect é um início relevante no mercado, algo que vai demandar melhorias e desenvolvimentos crescentes… bem antes do Tekken tbm existia o Activator no Mega Drive, tive o Mega, mas o Activator era raridade e não funcionava bem pq por exemplo vc podia jogar um jogo de luta nele, como Eternal Champions, mas ele tinha sensores que não reconheciam movimentos como chutes ou socos… se vc quisesse socar tinha que levantar um braço ou perna na direção tipo noroeste onde o sensor que estava naquele lado reconhecia a presença de alguma coisa ali e isso significava o botão "C" de chute… coisa desse tipo… ele tinha formas retas unidas em círculo no chão e vc ficava no meio… mas tipo eu reconheço o Kinect como pioneiro em ler e interpretar movimentos sem a necessidade de controles como o do Wii… mas como sabemos ainda está em evolução…

      • Hominho disse:

        cara esquenta não… eu entendi o que quis dizer… em relação a jogos e precisão.. é uma bosta…

        e não estamos comentando se o negócio é top para medicina ou o kralho a 4…

        é que o bagulho não serve para competição e ponto…. a não ser que vc fique jogando ping pong o resto da vida….

  4. HakhureiSan disse:

    "Kachitsudzukeru Ishiryoku"

    Saúde!

  5. HakhureiSan disse:

    Agpra falando sério, realmente bacana as palavras de Daigo e o melhor é que podem ser aplicadas para tudo na vida. Por isso que digo: A VIDA IMITA OS GAMES… ou seria o contrário?

  6. bassvix disse:

    E você acreditam que ele filosofou isso tudo. rsrs
    Fora as contradições. Ainda mais um cara que fica só metendo socos e chutes nos outros, usando combos e etc.

  7. @Icaro_link disse:

    Daigo o Sun Tzu do Street Fighter.

  8. @jldalchiavon disse:

    Não consigo pensar em nada mais loser que uma "lição de vida" de alguém cuja vida é viver jogando um joguinho de videogame.

  9. Wesker_CDA disse:

    "It's madness!"

  10. Drope4649 disse:

    Incrível. Parecem ensinamentos de um monge tibetano até. Apesar de ainda jovem, Daigo tem uma grande experiência, e consegue mostrar, como podemos conhecer nós mesmos e sermos alguém melhor simplesmente baseados em nosso comportamento aos jogarmos.

  11. kauefonaseca disse:

    Sábias palavras. Devem ter funcionado bastante para ele.. até que:

  12. É mesmo, será que ele mencionou esse pau que tomou? Esse vexame quase fez ele perder o patrocínio da Mad Cats uAHUAHaUhaUha

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