Criada nos anos 80, a série Castlevania teve boas passagens pelo 2D em diversos jogos, como Super Castlevania IV (SNES, 1991) e Symphony of the Night (PlayStation, 1997), entre outros. Mas não foram poucas as tentativas de levar a classe e o espírito da série para os mundos tridimensionais. Mesmo assim, faltava um título 3D que estivesse à altura da franquia. Foi então surgiu Lords of Shadow (Xbox 360, PlayStation 3) para preencher esse vácuo. Sabe como? Copiando sem qualquer pudor jogos de sucesso como God of War e Shadow of the Colossus.

Criada nos anos 80, a série Castlevania teve boas passagens pelo 2D em diversos jogos, como Super Castlevania IV (SNES, 1991) e Symphony of the Night (PlayStation, 1997), entre outros. Mas não foram poucas as tentativas de levar a classe e o espírito da série para os mundos tridimensionais. Mesmo assim, faltava um título 3D que estivesse à altura da franquia. Foi então surgiu Lords of Shadow (Xbox 360, PlayStation 3) para preencher esse vácuo. Sabe como? Copiando sem qualquer pudor jogos de sucesso como God of War e Shadow of the Colossus.

Voltemos um pouco. A primeira tentativa de transportar a série dos vampiros para o universo 3D aconteceu em 1999 com um sofrível jogo para Nintendo 64. Pelo menos para mim, algo ali parecia estar claro: há certas franquias que não podem (ou não deveriam) sair do mundinho 2D.

O jogo tinha gráficos horrendos, jogabilidade dura e ângulos de câmera que certamente eram mais incômodos que muitos inimigos. Para complicar a situação, naquele mesmo ano saía Legacy of Kain: Soul Reaver, também com temática vampiresca, mas com um trabalho mais bem executado.

A Konami não desistiu. Após a incursão 3D inicial, outras aventuras vieram: Legacy of Darkness (N64, 1999), Lament of Innocence (PS2, 2003) e Curse of Darkness (PS2 e Xbox, 2005). E nenhum deles chegou perto de Lords of Shadow, o jogo que copia.

Mas não entenda o “copia” como algo pejorativo. As equipes da MercurySteam (baseada em Madrid) e da Kojima Productions tiveram a humildade de identificar aquilo que funcionou em outros jogos e aproveitaram para incluir tais características em Lords of Shadow. O resultado foi um produto absolutamente identificado e reconhecido como um capítulo digno da grandeza de Castlevania.

MEIO ESPARTANO, MEIO VAMPIRO


A primeira semelhança diz respeito à Combat Cross de Gabriel Belmont, “inspirada” pelas Blades de Kratos. A arma de Gabriel não é tão ligeira e frenética quanto à do espartano, mas o ato de girar a cruz para cima das hordas do mal me soou bem familiar. Em seguida, quando Gabriel explora os ambientes e deve se pendurar por aí, é como se estivéssemos controlando Kratos.

A semelhança mais sensacional e divertida, do meu ponto de vista, entre esse Castlevania e God of War, é a possibilidade de montar em alguns inimigos. Aqui, vantagem para os vampiros, já que dá para tomar o controle de cinco classes distintas de criaturas: cavalo, aranha, warg, warthog e troll. Também é possível matar alguns monstros deixando-os desgastados e atacá-los na sequência com uma combinação de botões.

À SOMBRA DOS GIGANTES


Mas então chego aos chefes e me lembro de Shadow of the Colossus. Os dois primeiros chefes de Lost Shadows são o Ice Titan e o Stone Idol Titan. E o modo de derrotá-los não poderia ser mais familiar: é preciso escalá-los, com cuidado para não cair com o balanço, golpeá-los em pontos circulares verdes que emitem um brilho. Só faltava mesmo aquela música dramática e lamuriosa depois que liquidamos cada colosso no título do Team ICO.

Se não fosse o bastante, o penúltimo chefe de Lords of Shadow é uma mescla evidente entre os dois colossi voadores de SotC. É necessário esperar que o Dracolich Titan mergulhe em sua direção, desviar e agarrar-se a uma parte do seu corpo para depois percorrer sua imensa extensão e identificar os pontos fracos – não tenho dúvida de que quem já enfrentou o segundo colosso, que lembra uma serpente alada gigante pelo seu modo suntuoso de voar, vai se lembrar imediatamente dele ao jogar LoS. Isso sem falar em um dos objetivos de Gabriel, que é trazer a sua amada de volta da morte (em Shadow of the Colossus, Wander aceita a incumbência de executar os colossi com o intuito de reviver a sua Mono).

BEM e MAL

Outros dois fatores interessantes são a falta de um maniqueísmo – a ideia de bem e mal é apagada, parece que os personagens não fazem nada além de seguir seus destinos (Lost, obrigatoriamente, vem à mente) – e a quantidade absurda de puzzles inteligentes. Lords of Shadow equilibra bem a balança entre combates, exploração e quebra-cabeças – mas quebra-cabeças de verdade, não uma simples babaquice de pegar uma chave e usá-la logo na porta à frente.

E então há o fator Hideo Kojima. Apesar de o mestre ter o mero papel de conselheiro, ele deu alguns pitacos. Kojima sugeriu que o visual de Gabriel fosse refeito, pois, em estágios iniciais de produção, o protagonista apresentava uma faceta mais selvagem do que heróica, o que contribuiu para a confecção de alguém mais carismático – alguém melhor do que Kojima para isso? Ele também selecionou dubladores que atuaram em Metal Gear Solid na localização do jogo para o japonês.

Por tudo isso, finalmente agora temos um Castlevania que beira o épico em três dimensões. Confesso que, até aqui, estava convencido de que os vampiros jamais conseguiriam atravessar a fronteira do 2 para o 3D de um jeito decente. O pessoal do Retro Studios também deve ter gostado, pois inovação e tradição convivendo em caráter harmônico não são um estágio tão fácil de atingir.

Abaixo, assista aos vídeos para ver as semelhanças entre os chefes (cuidado com os “spoilers”), depois confira mais imagens de Castlevania: Lords of Shadow.

Shadow of the Colossus

Castlevania: Lords of Shadow

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Castlevania: Lords of Shadow, foi produzido pela MercurySteam e Kojima Productions e lançado pela Konami para Xbox 360 e PlayStation 3 em 5 de outubro de 2010. No Brasil, o preço sugerido é de R$ 199. A versão utilizada pelo Kotaku foi enviada pela Konami (PlayStation 3).