23 de Maio de 2013
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Fez: uma celebração retrô no seu Xbox 360

Por - 19 abr, 2012 - 05:35

24 Comentários

Quando Fez foi anunciado, ele só precisou de um trailer e algumas apresentações conceituais para ser inovador. Mas isso foi há cinco anos, antes de jogos como CRUSH e Echochrome gastarem a ideia de “puzzles de perspectiva”. Hoje, se ele fosse só um jogo de plataformas com puzzles de perspectiva, já poderíamos voltar a xingar Phil Fish por ele ser um babaca. Mas para a nossa sorte (e a de Phil), Fez é muito, muito mais do que isso. E também é muito mais do que um chapeuzinho turco ou um personagem do That’s 70 Show.

Fez é um dos melhores indies nesse mar cada vez mais saturado de jogos independentes buscando algum destaque. Ele também é uma das experiências mais verdadeiramente nostálgicas dos últimos tempos – além de ter um plural engraçado em português (nunca sairei da 5ª série).

Fez é um passeio no parque. Mas esse não é um parque qualquer. É um parque imenso, coloridíssimo e cheio de caminhos diferentes. Alguns vão trilhar o caminho principal e curtir a paisagem, outros vão acabar se enfiando em um daqueles labirintos de grama do final de O Iluminado. Mas todos vão sair do outro lado com um passeio bem bacana na memória.

Uma dimensão menos chata

Em seus primeiros 10 minutos, Fez é um jogo de plataforma “sidescroll” dos mais simplórios: um direcional e um botão de pulo. Mas depois de algumas horas, estamos perdidos em um labirinto infinito e emaranhado de cenários, implorando por alguma luz divina (ou pelo menos por uma atualização no GameFaqs).

Você controla Gomez, um garotinho (?) que se torna o “escolhido” e ganha um chapeuzinho turco que oferece mais “perspectiva” ao seu mundinho “chato” (literalmente [risos]). Não faz muito sentido, mas não se preocupe demais com o enredo.

Fez compensa a falta de profundidade narrativa com uma atmosfera densa e uma mecânica divertidíssima: usando o poder do seu chapéu, nosso herói pode mudar o eixo de perspectiva dos cenários do jogo.

Apesar de Gomez estar preso em um eixo bidimensional, os cenários de Fez sempre são renderizados em 3D. O que vemos é apenas um “lado”, uma dimensão do todo. Aperte um dos gatilhos do controle do seu Xbox 360, e você gira o eixo da câmera em 90º, alterando a “face visível” desse cenário 3D. Pode parecer confuso, mas com poucos minutos de jogo isso se torna natural. Essa mecânica central vira quase um “segundo botão de pulo”, de tão fácil que fica mudar de perspectiva. Na maioria das vezes, você não vai ficar pensando se deve girar o cenário para a esquerda ou direita para atingir tal plataforma, porque é mais fácil simplesmente tentar as duas (ou quatro) alternativas.

Para alguns, vai parecer que todos os puzzles se transformam em um simples apertar aleatório de botões, o que não deixa de ser verdade. Mas essa sensação de naturalidade é essencial para realçar as verdadeiras qualidades de Fez – que vão muito além de seus quebra-cabeças. Se você perdesse tempo demais preocupado com formalidades e ordens de botões, tentando formular uma metodologia pessoal para resolver puzzles, perderia a incrível jornada de visuais e epifanias do jogo.

É quase como a diferença entre ser o motorista ou um passageiro na excursão escolar. A viagem é a mesma para todos, mas vai parecer bem mais divertida para quem não está preocupado em trocar marchas e pisar em pedais. Em Fez, graçazadeus, somos o moleque cantando “motorista, olha o poste” lá  no fundão do ônibus.

Post-mortem da nostalgia

Livre das preocupações técnicas, você quase esquece que tem um controle nas mãos durante boa parte do passeio pelo mundinho cubista de Fez. Um colorido, pixelado e simpático mundinho que fica ali na esquina entre os 8 e os 16-bit.

O visual pelas dezenas de cenários é bastante variado, e dança conforme a música (um chiptune do bom) para realçar o climão nostálgico. Entrando nos esgotos, você cai no que parece ser uma representação dos gráficos verde-e-pretos do Game Boy original. Em outras quebradas, você relembra as cores e os “glitchs” dos jogos de Nintendinho.

Visual e sonoramente, Fez é o sonho molhado dos retrogamers. Mas as homenagens à era de ouro dos videogames (uma delas, pelo menos) vão além do que podemos ver, ouvir ou até mesmo entender. Boa parte da apresentação de Fez é subliminar e sutil o bastante para resgatar lembranças que você nem sabia que tinha em seu currículo como jogador.

Seja simulando travamentos e telas de boot, brincando com pixels ou escavando frases e situações do inconsciente coletivo dos jogadores, Fez consegue – sem desculpas esfarrapadas, desfechos épicos ou enredos de novela das 8 – ser a experiência retrô mais bem sucedida entre tantos filhos bastardos do Super Nintendo.

Isso porque ele é uma homenagem não apenas aos games das antigas, mas à maneira de representar ideias e transmitir sensações das gerações passadas, quando nenhum conceito podia ser simplesmente reproduzido com gráficos fotorrealistas ou cutscenes de 2 horas de duração. A emoção de Gomez ao pegar um cubinho, por exemplo, é contagiante, e dispensa qualquer palavra.

E é por isso mesmo que  o jogo da Polytron não é só um “plataformer” bonitinho com uma mecânica de perspectiva bacana. Ele resgata não só a aparência, mas também a atitude de games como Castlevania 2 ou Mega Man, e forma uma experiência cheia de camadas, tão simples e amistosa ou densa e exaustiva quanto você quiser.

Papel, Caneta e QR Codes

Existe uma infinidade de colecionáveis, segredos e mistérios nos cenários de Fez. Para começar, temos 32 cubos e 32 anticubos que marcam o seu progresso principal. Você pode terminar Fez com apenas 32 cubos e anticubos somados, mas coletar todos os 64 vai exigir paciência, perspicácia e uma preocupação detalhista com a exploração de cada canto do vertiginoso mapa do jogo – que, por sorte, marca de forma clara em quais lugares você deixou segredos para trás.

Mas esses cubos são apenas o elemento mais básico da jornada. Você ainda encontra artefatos misteriosos, mapas para tesouros escondidos, cubos vermelhos para os quais ninguém sequer descobriu uma função e uma infinidade de pistas que variam entre semióbvias e quase impossíveis de serem decifradas. É o nosso próprio código Da Vinci, só que bom.

E se os puzzles de perspectiva de Fez não são exatamente difíceis, desvendar seus mistérios alienígenas mais ocultos é uma provação digna dos bons tempos de Nintendinho. Por exemplo: existe um alfabeto inteiro para ser decifrado, com seus 31 caracteres, caso você queira meramente arranhar a superfície dos colecionáveis menos óbvios do jogo.

A minha dica é jogar com papel, caneta e leitor de QR Codes sempre por perto, porque as dicas de como resolver os enigmas estão por todas as partes, espalhados de forma pouco linear e bastante confusa em fotos, paisagens, gravuras, diálogos, runas. Essa onipresença de elementos relevantes para os mistérios é tão evidente, por sinal, que você começa a desconfiar até mesmo dos elementos decorativos mais inocentes.

Eu diria que até mesmo as vibrações no controle ou o gatinho tentando pegar uma borboleta no fundo do cenário podem esconder a chave para solucionar um mistério milenar. Não é paranoia da minha parte. Eu espero.

Desdobrando um cubo

Existe em Fez um puzzle complicado sobre desdobramento de cubos (e vou tentar aqui evitar ao máximo qualquer spoiler). Enquanto eu penava para resolvê-lo, percebi que ele era uma metáfora interessante que diz muito sobre o jogo em si. Há diversas formas de se desdobrar um cubo. Algumas mais simples e intuitivas, outras mais complicadas e cansativas. Não há maneira certa ou errada, e todas alcançam o mesmo resultado na prática.

Fez não é muito diferente. Alguns vão seguir o caminho mais descomplicado e intuitivo pelo jogo, outros vão desbravar mistérios mais complexos e exigentes. Outros, ainda, vão tentar encontrar todas as combinações possíveis. Mas o resultado final deve ser praticamente o mesmo: um sorriso bobo de satisfação depois de curtir uma daquelas experiências maravilhosas e simples, nostálgicas e inovadoras.

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FEZ

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fez xbox liveFez é um jogo de plataforma que pode ser tão simples ou complicado quanto você quiser. Ele resgata o espírito retrô de eras passadas, não só artisticamente, mas em toda sua relação com o jogador: segredos, descobertas, desafios.

Fofo por fora e engenhosamente elaborado por dentro, ele é mais um integrante da galeria dos Indiespensáveis, junto com Limbo, Braid, Journey e poucos outros.

Desbrave Fez para conhecer um belo universo e despertar suas lembranças gamers mais antigas. Na pior das hipóteses, você vai sair dessa aprendendo novas maneiras de desdobrar um cubo. O que deve ser bom, eu acho.
Plataforma: Xbox 360 (Xbox Live Arcade – versão de testes cedida pela Microsoft)
Desenvolvimento: Polytron
Distribuição: Microsoft
Lançamento: 14 de abril de 2012
Preço: 800 MS Points



24 respostas para “Fez: uma celebração retrô no seu Xbox 360”

  1. @015B disse:

    Pena eu não ter um 360, queria jogar.

  2. RubensXD disse:

    Jogaço, estou resistindo bravamente pra tentar descobrir tudo sem recorrer a nenhum FAQ

    • cara, tem q ser foda pra resistir pq descriptografar esse maldito alfabeto do jogo eh tenso xD isso eu peskisei na internet, admito, mas ateh agora nenhum puzzle faz uso do alfabeto, entaum num foi mais por curiosidade do q outra coisa

    • rafael_miolow disse:

      Pelo menos no puzzle do monolito vc vai querer recorrer a FAQs… a comunidade do game ainda não achou um caminho lógico para a resposta, tiveram que chutar as 1300 combinações de comando possíveis até um dos jogadores dar de cara com a solução.

      O jogo é foda, mas nesse puzzle exageraram na dificuldade.

  3. Berstarke disse:

    Em resumo: continuo querendo que eles lancem pra PC também.

  4. Felipe Costa disse:

    F*cking foda!
    Espero que lancem na steam também.

  5. Ortega disse:

    Será que sai para ps3?

  6. Alan_thrice disse:

    Que trilha sonora foda cara, Santo deus <3

  7. helderof disse:

    Primeira vez que comprei na XBox Live (e com um belíssimo preço de R$20,00 só!). Agora é só esperar o fim de semana pra baixar e jogar! =D

  8. Jason WG disse:

    800M$ points está ótimo!! (:

  9. DarkusBR disse:

    RT RT LT RT LT LT LT RT, Interessante…
    Quero ver quanto tempo vai demorar para sair em PC também, se ele colocasse na Steam nem iria precisar de propaganda para vender milhões!

  10. Thiago_Cidao disse:

    Jogaço mesmo. Quem está em dúvida em comprar, nem pense duas vezes: vale demais. E tomara que outras plataformas também o recebam.

  11. themetalhero disse:

    Ótimo, embora pareça meio estranho a príncipio. A trilha sonora é excelente. Sem dúvida vou comprar.

  12. rafael_miolow disse:

    Mostrar a visão em primeira pessoa no review é sacanagem… quem ainda não começou um New Game + tomou spolier sem piedade. Vacilaram nessa.

    Aliás, falando em spoiler: (NewGame+) cima cima cima cima+A

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