Às 11h25 do dia 26 de julho de 2011, em Porto Velho – RO, nasceu Arthas Henrique Ramos Menezes, filho de Ederson Menezes e Lidiane Nascimento. Sim, Arthas. O Lich King e antigo príncipe de Lordaeron. Agora temos um representante brasileiro para esse nome de peso. Tudo graças a um grande fã da Blizzard que não queria que seu filho fosse mais um João nessa terra de Josés.

Ederson nasceu e cresceu em Porto Velho, capital de Rondônia, e sempre preferiu curtir um bom jogo do que sair para as festas e bares da cidade. Ele passou a infância em Rock n’Roll Racing e Diablo, descobriu Diablo II na adolescência e se apaixonou pela história rica e personagens únicos de Warcraft assim que conheceu a série.

“Já era certo que meu filho não teria um nome comum, como Manoel, Bruno ou algo do gênero. Eu sempre imaginei filhos com nomes que outras pessoas não teriam. O que poderia trazer mais individualidade a ele.”

Em conversa com o Kotaku Brasil, ele conta que os jogos da Blizzard o ajudaram muito a passar pelos momentos mais difíceis de sua vida. Por isso ele sempre quis retribuir, com alguma homenagem especial à empresa. Assim, quando sua esposa engravidou, ele imediatamente pensou em dar o nome de um dos personagens dos jogos para seu filho. Seria a homenagem definitiva – não estimulada por ofertas ou auto-promoção, mas pela paixão genuína de um fã.

O problema é que a Blizzard é bastante famosa, entre outras coisas, por sua horda de personagens marcantes e inesquecíveis. Então não foi fácil escolher, entre tantas opções, qual dos nomes de heróis (ou vilões) da empresa seria usado. Depois de muita indecisão, Ederson começou a pensar na história do herói (que virou vilão) de WarCraft III.

Arthas Menthil é, de longe, o mais trágico dos personagens da Blizzard. Herdeiro ao trono de Lordaeron, ele partiu em uma jornada para salvar o reino de seu pai do flagelo dos mortos-vivos. No caminho, foi levado a se juntar às fileiras inimigas: amaldiçoado pela espada Frostmourne, Arthas acaba tornando-se o líder dos monstros que ele havia jurado destruir.

E foi assim que Arthas se tornou a escolha de Ederson para fazer sua homenagem. Segundo ele, além de único, o nome trazia o peso de uns dos personagens mais marcantes e inesquecíveis da história da produtora americana.

Mas… Arthas não mata o próprio pai durante a história de Warcraft III? Sim, mas Ederson diz não ter medo.

“Sempre vejo olhos arregalados quando falo da parte em que Arthas mata o pai… isso deve trazer um certo desconforto aos ouvintes da história. Mas é apenas parte do peso de se ter o nome Arthas.”

Vamos torcer apenas para que nosso Arthas não se inspire demais no nome e decida liderar uma revolução de zumbis começando pelo Brasil. Ou que pelo menos ele abra um quantidade razoável vagas para Death Knights.

Antigamente, quando nossos pais queriam dar um nome que homenageasse algum valor ou ideia, eles recorriam aos grandes heróis do cinema ou da literatura, ou grandes figuras históricas (Hitler não vale).

Hoje nós temos mais opções, graças aos videogames. Não é difícil imaginar um futuro em que atitudes como a de Ederson irão se tornar cada vez mais comuns. E o que há de errado em buscar inspiração nos grandes personagens dos jogos eletrônicos? Os cosplayers não fazem quase exatamente isso? E os personagens dos jogos ficam devendo alguma coisa para os personagens da literatura ou cinema?

No fim das contas, não ia ser legal se chamar Altair, Ryu, Samus, Alucard ou Leon? Shodan, Lara, Sephiroth… as possibilidades são tão vastas quanto a nossa mídia favorita se tornou ao longo dos últimos anos.

Eu, por exemplo, adoraria ter o nome de um personagem de videogame legal com uma história bacana e… epa. Valeu aí, Bleszinski.