17 de Maio de 2012

Escolha do leitor: o melhor dos mundos em Star Wars: The Old Republic

12 jan, 2012 - 01:10 - por:

42 Comentários


Seis meses atrás, eu dizia sem medo que Star Wars: The Old Republic seria o maior lançamento MMO da história e um dos melhores games da década. Quando finalmente coloquei as mãos no game durante o Beta, todos os três intermináveis anos de espera imediatamente valeram a pena.


Depois da experiência com Knights of the Old Republic, BioWare e a LucasArts embarcaram juntas no projeto mais ambicioso de suas histórias.

Se “BioWare” já não te inspira alguma emoção complexa – o que significa que você provavelmente veio das cavernas – dá para resumir suas credenciais com dois nomes: Dragon Age e Mass Effect, dois dos melhores RPG single-player já feitos. Quer mais?

LucasArts: se, como eu, você foi um garoto alegre que nasceu nos anos 80 e cresceu nos 90, certamente conhece o nome. Se não, melhor ficar jogando em consoles mesmo. Se conhece, vamos relembrar. Full Throttle é deles. Monkey Island, Grim Fandango e o fenomenal Day of the Tentacle? Deles. Para resumir, ela é simplesmente a responsável pelos mais geniais, divertidos e inovadores adventures “point-and-click” de PC da história. E vale uma menção honrosa ao célebre Dark Forces, aquele inovador FPS de 1995.

De volta a Old Republic. Ele se passa 3.000 anos antes dos eventos dos seis filmes de Star Wars. Ou seja, antes dos Skywalkers, Darth Vader e, pelas graças da Força, Jar Jar Binks. É um intervalo bem generoso na timeline, que permite não só que todo tipo de “lore” seja desenvolvida, mas que também exista um espaço bem folgado até a “história oficial” do cinema. Quase como um sanduíche gigante ainda sem recheio.

E a história tem um brilho todo próprio. Ela não é só especial; ela está no mesmo plano que o próprio “gameplay”; são as duas estrelas do espetáculo. Diferentemente dos MMORPGs de hoje, que apenas apresentam a história por trás do cenário e jogam os personagens nela para realizarem serviços banais e heróicos, mas cujas ações não têm efeito nenhum na história, em ToR o seu personagem, além de ser um indivíduo relevante, toma decisões que alteram sua história futura.

Seis meses atrás, eu dizia sem medo que Star Wars: The Old Republic seria o maior lançamento MMO da história e um dos melhores games da década. Quando finalmente coloquei as mãos no game durante o Beta, todos os três intermináveis anos de espera imediatamente valeram a pena.

Vou recorrer à frieza de alguns números para quantificar a monumentalidade deste trabalho. Primeiro, a Electronic Arts adquiriu a BioWare por US$ 860 milhões, numa estratégia de se expandir para o mercado de MMO. O estimado custo de produção de ToR é US$ 135 milhões, o que o tornaria o game mais caro da história. Todo o texto escrito e a dublagem das falas dos PCs e NPCs é 10 vezes maior que em Knights of the Old Republic, e suficiente para encher aproximadamente 40 livros de romance, segundo a BioWare.

Mas o que esses números significam? Absolutamente nada. Eles certamente demonstram o potencial das empresas, mas está mais do que provado que games independentes, com baixo orçamento inicial, podem ser tão avassaladores quanto um título AAA. Um jogo precisa divertir e é disso que eu falarei agora.

Papéis importantes

A tradução literal da sigla RPG é “jogo de interpretação de papéis”. Os MMOs de hoje simulam o gênero ao repetir a fórmula padronizada de controlar um avatar em um mundo virtual. Para mim, isso não é suficiente. Porque não é isso que, efetivamente, transforma seu personagem em um ser real.

Em Old Republic, todo diálogo com NPCs é falado e interativo. Em vez de lerem um bloco de texto para cada quest, os personagens conversam com o seu. Você responde e decide o que fazer. Para mim, isso é simplesmente fenomenal. Em grande parte porque a atuação dos dubladores é excepcional. Mas também porque representa um papel fundamental na imersão, elemento chave de qualquer RPG.

Em World of Warcraft, o maior e melhor MMORPG até então, os personagens não são heróis, não são relevantes para o mundo. Ao derrotar o Lich King, o maior vilão de Azeroth, quem aparece na cutscene não são os personagens que o mataram, mas Tirion. Por que, se, ao iniciar a raid, ele está no térreo e diz que vai ficar lá? Se ele não ajudou o grupo em momento nenhum? Qual a relevância do seu personagem por ter livrado o mundo da criatura mortal mais maligna da história?

O que WoW sugere é que, além de as ações dos personagens serem totalmente irrelevantes para a história principal, eles só fazem isso pelos espólios. Da mesma forma que um péssimo Dungeon Master de D&D só promove combates por XP e ouro. E, para mim, Star Wars foi um excelente narrador que assumiu a mesa de RPG.

Decisões, decisões, decisões


Cada classe de The Old Republic é um personagem importante para a história. O Trooper é um oficial de uma equipe de elite, despachado para lidar com uma insurreição Rebelde; o Sith Warrior é o neófito mais talentoso da academia, cujo treinamento é acelerado, e que deve eliminar seus inimigos até se tornar Sith. O Imperial Agent, o espião mais habilidoso da Inteligência do Império, é enviado para o último planeta que ainda se considera neutro para recrutá-lo para o Império; e assim por diante.

Embora você seja um indivíduo importante, o personagem não começa com um set de seus equipamentos icônicos. O Trooper começa com calça, camisa e um rifle velho; os Siths começam com roupas comuns e uma espada simples de treino. Você se desenvolve na história e precisa conquistar, merecer, seus símbolos de poder e status; afinal, o Sabre de Luz não é apenas uma arma.

E a história é apresentada para o jogador, e modificada por ele, através de intervenções cinematográficas e dramáticas, em cutscenes estonteantes, e interações verbais com os personagens. Os NPCs explicam, ao longo das missões, todo o contexto e todos os motivos por que seu personagem deve fazer alguma coisa. E suas decisões refletem não só as missões futuras, mas também o Alinhamento do seu personagem – Light ou Dark side.

O jogo desperta emoções. Tomar decisões não é fácil, e tomar decisões tão impactantes é ainda pior. Há momentos em que você hesita em se coloca no lugar do personagem: “o que eu faria agora?” Em uma das missões de Sith Warrior, você deve assassinar o filho de um agitador político, na frente da mãe. Quando você finalmente encontra o rapaz, a mãe, desesperada, oferece muito dinheiro se você deixar o filho dela viver. Aí, você se depara com três opções: aceita o dinheiro, vai embora e finge que não viu nada, ou impiedosamente assassina o garoto.

Eu escolhi assassiná-lo, e o grito estridente de dor da mãe despertou um sentimento estranho em mim. Não senti pena, não senti dó. Eu estava imerso em meu personagem – eu sou um Sith, o mais poderoso aprendiz, discípulo de Darth Baras! – e me enraiveci. Assassinei a mãe também e meu Alignment escorregou ainda mais pro Dark Side. E foi excitante, porque é o que meu personagem realmente faria. Cada passo, por menor que seja, por mais insignificante que pareça, deixa o Aprendiz Ty’Gur mais perto de seu destino.

Você pode criar todo tipo de personagem, do Jedi que flerta com o Dark Side, ao Trooper corrupto e assassino, ao Bounty Hunter idealista. Não se tratam de esparsas intervenções RP-ísticas, mas o mundo que a BioWare nos apresenta é tão vivo e tão real que cada personagem nele também o deve ser. E acredito que a maior expressão dessa “feature” sejam as dungeons, chamadas de “Flashpoints”.

Elas são dinâmicas, porções ainda mais importantes da história. O que quero dizer com isso é que elas não passam a impressão de que os chefes ficam lá dentro esperando um grupo de indivíduos para matá-los e coletar seu loot. A primeira delas se chama Black Talon, e você deve invadir naves da República para recapturar um ex-General do Império que pretende passar informações importantes para a República.

Durante a dungeon, as mecânicas são comuns aos MMOs: grupos de inimigos, progressão, chefes com estratégias especiais, que dropam equipamentos melhorados. Mas, mesmo durante a Flashpoint, você e seu grupo devem interagir com NPCs, que vão explicando o que está acontecendo e o que vocês podem fazer. À chegada do último Boss, mais uma cutscene: é uma Padawan que protege o General. Ela fica para lutar enquanto o homem tenta fugir.

Derrotando a aprendiz Jedi, seu grupo encurrala o General, e mais opções surgem: matá-lo ali mesmo, prendê-lo e levá-lo para julgamento ou deixá-lo ir. A maioria decide o que acontece de fato, mas sua decisão é relevante. Eu escolhi matá-lo, ganhei Dark Side points e o título “the Merciless”. Meus colegas, que decidiram poupá-lo, ganharam “the Merciful”, e o general foi levado sob custódia.

Star Wars: The Old Republic é assim, do começo ao fim. Um universo de fantasia plausível, deliciosamente real, de uma das franquias mais famosas da história da cultura pop. É um game extraordinário, com a experiência da BioWare com RPGs single-player, mas com um multiplayer que o deixa intensamente vivo.

Nas 72 horas dos três dias do Beta Weekend em que participei, joguei aproximadamente 38 delas. Queria mais, e os 15 dias de espera foram sufocantes. Agora que ele foi lançado, todo tempo livre que tenho é dedicado a ele, e não me arrependo de nada. Quando joguei pela primeira vez, senti aquela deliciosa cócega no cérebro, de excitação pelo inesperado, de diversão genuína, que não sentia com um game desde Ocarina of Time. E o mais impressionante é que esse prazer pelo jogo não só continua forte, mas aumenta a cada hora.

______

Grégore Candalez, 24 anos, mora em São Paulo e trabalha com assessoria de imprensa. (Mas sonha em trabalhar com jornalismo de games =)

O texto de Grégore foi selecionado no concurso cultural Melhores de 2011. Vamos publicar um texto por dia, sem qualquer ordem de preferência, e encerraremos a série com as menções honrosas dos participantes “que não ganharam”. Leia também:
Deus Ex e as ‘augmentations’ da vida real
Catherine e os pesadelos do homem comum

Quando dei uma chance a Portal 2
Bastion, um garoto e seu melhor amigo
Pagando os pecados em Fight Night Champion [versão demo]
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42 comentários sobre “Escolha do leitor: o melhor dos mundos em Star Wars: The Old Republic”

  1. jorge jr disse:

    E como anda para jogar daqui? Precisa de algum "balaco baco" de IP? A compra online tá de boa?

    • Kioto disse:

      Eu ia perguntar isso… como diabos ele tá jogando se não tá liberado pro Brazil zil zil zil…

    • Marcelo disse:

      Eu também joguei o beta e consegui comprar o jogo pela Origin através de um esquema que vi no MMOBrasil. Hoje não está rolando mais, então você tem que tentar comprar o jogo por alguma outra empresa que venda CD-Keys (existem várias).

      • jorge jr disse:

        Eu joguei o beta e não tentei comprar logo que disponibilizaram. Mas eu vou nos EUA final de fevereiro, comprando lá joga de boa por aqui?

        • Marcelo disse:

          Joga sim. Estou jogando tranquilamente. O mais difícil é conseguir comprar mesmo. Recomendo também pegar alguns gamecards, tive problemas em cadastrar o cartão de crédito internacional para pagar a mensalidade.

          • Luiz disse:

            Um amigo meu que mora nos EUA comprou via origin na pré-venda, que foi o procedimento que o pessoal da própria Bioware recomendou quando entrei em contato.
            Após comprar, a assinatura funciona de boa com cartão internacional

          • Cássio disse:

            Meu cartão não apresentou nenhum problema, vamos esperar para ver o mês que vem :)

        • 3evill disse:

          Compra pra min tbm mano ?

    • Tudo tranquilo e sereno. oficialmente o jogo não está sendo vendido aqui no Brasil. Dependemos da EA Brasil.

      Eu comprei aqui. http://www.gamehuntercdkey.com/shop/
      E baixei o jogo pelo proprio site do jogo.

      Depois fiz a conta no origin e tudo tranquilo, tranquilo. Tenho gostado muito do jogo.

      • azamba89 disse:

        Como vc pega a mensalidade?
        Pq comprar a Key com 30 dias ja incluso é facil, o problema é continuar pagando depois.
        E os valores das mensalidades?
        To louco pra joga, mas me falta informação…

  2. carol_yas disse:

    Parei no "dois dos melhores RPG single-player já feitos".

    2 dos melhores JÁ FEITOS? Sério malandro? Sério mesmo? Menos, né?

  3. Henrique Melo disse:

    Star Wars é vida!

  4. Icaro disse:

    Ai, se é um MMO que altera a história conforme os personagens interagem com ela, como que ele matou o cara, e os colegas dele levaram sob custódia, isso eu não entendi… O.o

    • Marcelo disse:

      Quando está em grupo, cada pessoa escolhe uma opção, aí tem tipo um "roll" que define quem venceu e a opção dessa pessoa é a que vai ser escolhida. E o vencedor ainda leva "Social Points" que são usados pra trocar por itens. Um sistema muito interessante.

    • A decisão é feita randomicamente. Vence aquele q tira o maior valor e decide o rumo da história.
      O que fica anotado é que o personagem dele tinha um opinião diferente. Por isso ele ganhou os pontos.

  5. O texto acima é muito bom. Resume bem a sensação de muitos jogadores que aguardavam o jogo e consegue resumidamente qual a proposta estabelecida

  6. Goooogle disse:

    Eu ainda preferia que fizessem um KotOR 3 ao envés disso, mas é bom saber que o jogo é bom.

    • lucas c. disse:

      A história é mais relacionada aos KOTOR do que vc imagina e, como cada classe tem uma narrativa diferente, é quase como se eles tivessem feito um KOTOR 3 pra cada uma das 8 classes.

  7. victormech disse:

    O melhor RPG single player já feito é Baldurs gate :)

  8. Opa, excelente pré-review, espero q escreve um review com baseado no jogo full, explicando melhor o sistema pvp e tal.

  9. Hahaha, matou à pau…
    "LucasArts: se, como eu, você foi um garoto alegre que nasceu nos anos 80 e cresceu nos 90, certamente conhece o nome. Se não, melhor ficar jogando em consoles mesmo."

  10. Mercenario666 disse:

    Não comprei ainda porque preciso fazer a monografia… Prometi que não ia comprar antes de terminar, mas tô achando que vou pro lado negro e comprar logo hahahaa

  11. Ogirdor disse:

    Acho que ele exagerou muito em algumas partes… Isso é tudo lindo e maravilhoso quando vc joga nos primeiro meses, mas quando vc faz isso tudo várias vezes, toda essa suposta mágica de imersão que ele mensionou é perdido por que simplesmente vc ja fez aquilo uma vez. Não tem como escapar disso, só esperando pelo próximo patch. O que eu quero dizer é que ele viu os olhos do WoW como alguem que ja o jogou bastante e vendo o ToR como algo novo. Dê tempo ao tempo…
    PS: Falar que texto se perde muito em imersão é algo bem relativo, ou vai me falar que todos os Final Fantasys até o 10 não tinham imersão?
    PS2: Falar que seu personagem no WoW é insignificante é uma mentira.

    • Thiago Nabuco disse:

      A história é diferente pra cada classe e raça que você joga, Ogirdor. Não é que nem Wow que só muda a história por raça.

    • romuloabrao disse:

      Cara entendi oque ele quiz dizer…. (100000 ,mataram o lich king. mas de fato aprece que vc ficou como coadjuvante da história saca?)

      Apesar do game 10000 pessoas fazerem a mesma quest. a sensação de que voce participou do ato é maior…

      é um MMO single player…

  12. Pesset disse:

    Fiquei curioso sobre esse jogo. WoW me fez encostar o PS3 por um tempo. Se esse aí for bom mesmo, certamente vai me fazer encostar WoW.

    Daqui a pouco minha mulher vai me deixar encostado… pensando bem, deixa esse jogo pra lá, continuo no WoW mesmo.. hehehe

  13. 3evill disse:

    Meu amigo comprou e encostou o jogo, vou pegar emprestado pra ver qual que é desse jogo.

  14. Ray disse:

    Eu comprei o cdkey do jogo pela http://www.g2play.net, esse jogo é simplesmente fantástico!

  15. Cássio disse:

    O único problema ainda do jogo, pra mim é: em alguns determinados mapas (principalmente PVP) a taxa de fps cai muito de forma horrenda, não acontece sempre, mas quando acontece meu amigo, a porca torce o rabo… (e isso pq meu pc, segundo as especificações, poderia rodar o jogo normalmente) e eu não sou o único a reclamar disso, basta ver no fórum de suporte (que por sinal, é bem ruim também, várias pessoas reclamaram disso já)

    fora isso, o jogo é muito bom, para quem for começar a jogar, o server "Kinrath Spider" é lotado de brasileiros e que a força esteja com vocês (sou jedi, sigo a filosofia, cagueto todo mundo, sempre em busca da paz… hahah)

    • Pelo que eu vi em outros lugares, esse problema no drop da framerate se deve à forma como as sombras são renderizadas. Não sei por que motivo ela conflita com algumas placas. As pessoas que diminuíram ou desligaram as sombras pararam de sofrer desse problema.

      E muito obrigado pelos comentários positivos e negativos, gente. Fiquei muito feliz. Querem um abraço?

  16. anom disse:

    "se, como eu, você foi um garoto alegre…"
    Humm… não.

  17. Eumesm disse:

    Maldita matéria bem escrita! Me fez ficar com vontade de jogar, sem dinheiro e tempo pra isso!

  18. Thiago Nabuco disse:

    Parabéns ao Grégore, ótima matéria, MUITÍSSIMO bem escrita.

  19. Bruno disse:

    é melhor vc encostar o wow e voltar pra sua mulher, se nao vai acontecer o que aconteceu com aquele cara que a mulher deletou todos os chars dele e filmou. =D

  20. Lume disse:

    Excelente texto, bem escrito, convincente e muito empolgante. Eu estava bem cética a respeito desse jogo, depois de assistir uns early releases de gameplay um pouco toscos, no início esse ano. Mas pelo jeito esse jogo faz justiça ao nome que carrega <3 Mais reviews assim, plzkthx?

  21. Só para fechar o ciclo, se alguém for ver aqui. http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/s7… Darth Ty'gur completou seu destino! Apareçam no Heddar Soongh que a gente joga juntos!

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