Hector Sanchez, o produtor do novo Mortal Kombat e um dos responsáveis pelo retorno da série, esteve no Brasil durante o Gameworld 2011. Aproveitamos a oportunidade para saber mais sobre o game de luta mais sangrento da atualidade.

Hector Sanchez é mais que um produtor, é praticamente um astro entre os jogadores brasileiros. Depois de cinco visitas ao país ele já fala um pouco de português, curte um carnaval e se esbalda entre os fãs que aparecem para mostrar suas tatuagens e cosplays de Mortal Kombat – sempre com um sorriso e disposição invejáveis para conversar com todos.
Há cerca de cinco anos trabalhando na série MK, Hector hoje é produtor e trabalha junto com as equipes de arte e design. Ele esteve presente no Gameworld 2011 para promover o game de luta da Netherrealm e conversou com o Kotaku Brasil.
De volta às origens
Kotaku Brasil: O último jogo da série foi Mortal Kombat Vs. DC. O que vocês trouxeram dele, o que deu para aprender com esse jogo?
Hector Sanchez: Um dos principais aprendizados foi como usar a Unreal Engine para fazer um jogo de luta 2D. MK Vs. DC era um jogo meio 2.5D, e você podia andar por todo o cenário. Agora decidimos nos livrar desses “side steps” e voltar ao 2D. É o nosso segundo jogo com a Unreal e temos muito mais conhecimento. Estamos aproveitando melhor as possibilidades que esse sistema oferece – seja a iluminação, a física e tudo o que a nossa equipe técnica está fazendo, incluindo otimizar tudo para fazer o jogo rodar a 60 quadros por segundo. Está tudo muito bonito e as pessoas estão recebendo o jogo bem, então acho que estamos todos fazendo um bom trabalho.
Kotaku BR: O novo Mortal Kombat tem versões para PlayStation 3 e Xbox 360. Vocês planejam dar algum suporte a outras plataformas como o Wii e o PSP?
Hector: Agora não estamos nem pensando nisso. Queremos ter certeza de que as versões de PS3 e Xbox 360 estejam impecáveis. Mas quem sabe? A equipe toda está focada em fazer com que essas duas edições sejam boas.
Kotaku BR: Queríamos uma versão para o Wii com o Mario!
Hector: Quem sabe vocês não me ajudam com isso? Arrumem o telefone do [Shigeru] Miyamoto. Eu quero fazer o Fatality da Princesa [Peach].
Kotaku BR: E agora temos 200 perguntas do tipo: “vamos ter Master Chief? vamos ter…?”
Hector: É, eu vivo recebendo esse tipo de pergunta. Eu amo os fãs, e se eles querem ver alguém no jogo eles perguntam mesmo. Eu adoro responder todas essas perguntas. No fim das contas nós somos todos fãs e ficamos pensando nas possibilidades mas, não sei, talvez Mario não seja o melhor candidato para esse tipo de jogo.
Kotaku BR: Existe diferença entre os fãs brasileiros e americanos de Mortal Kombat? Eles gostam das mesmas coisas, querem as mesmas coisas?
Hector: Sabe, é engraçado. Um fã de Mortal Kombat é um fã de Mortal Kombat em qualquer lugar do mundo. Acho que isso vai além de todas as culturas. Eles querem sangue, eles são intensos, são apaixonados, curtem jogos de luta e sabem o que querem. Somos todos fãs de Mortal Kombat desde pequenos e crescemos com a série. Eu respeito os fãs de Mortal Kombat do Brasil, dos EUA, da Alemanha, da Rússia, e somos todos uma grande família.

Kotaku BR: Mortal Kombat foi um marco cultural dos anos 90. Como é trazer isso de volta com força total agora?
Hector: É muita pressão, mas é uma pressão boa. Nós crescemos com a série e ela mora em nossos corações, então queremos lançar o melhor produto possível para todo mundo. Então é muita pressão trabalhar em uma franquia que todo mundo conhece mas também é uma bênção, porque não importa onde você esteja, todo mundo conhece Mortal Kombat. Como um desenvolvedor de jogos, é uma honra trabalhar em uma série tão famosa e reconhecida como essa.
Kotaku BR: A série Mortal Kombat começou simples, mas foi ficando cada vez mais complexa com o tempo. Primeiro você tinha os golpes e os Fatalities, depois vieram Animalities, Babalities, Friendship, combos, posições de luta, armas, e agora parece que vocês retornaram um pouco às raízes com esse novo jogo.
Hector: O Ed Boon [criador da série] tem uma filosofia: incluir uma nova mecânica em cada jogo, para que as pessoas não sintam que estão jogando a mesma coisa todas as vezes,
como em alguns jogos de esporte. Você tem um game vendido a preço de novo todo ano com só um pouco a mais de conteúdo que o anterior. Em Mortal Kombat nós sempre tentamos levar as fronteiras do design um pouco mais adiante, e é por isso que do primeiro jogo até MK Vs. DC houve essa evolução tão grande. No próximo jogo nós continuamos evoluindo, continuamos incluindo novos elementos como os golpes de Raio-X, a barra de especial e outros para deixar o sistema com um pouco mais de profundidade. Mas mesmo assim, o nosso objetivo é fazer com que o jogo fique mais próximo da trilogia original, e isso em todos os aspectos: os personagens, o estilo de arte, a volta ao 2D… são todas essas coisas com as quais as pessoas têm familiaridade. Mas se você olhar direito, é o jogo mais tecnicamente avançado que nós já fizemos até agora. Ele contém todas as melhorias e lições que aprendemos durante os últimos 15 anos em um único pacotão de luta, e pela reação do público parece que estamos tendo sucesso.
Kotaku BR: Então esse “retorno às origens”, deixando o jogo mais simples, mas com o mesmo espírito divertido, foi uma decisão consciente da equipe.
Hector: Sim, sim. Na verdade, Mortal Kombat Vs. DC Universe foi o mais longe que chegamos da fórmula original: um jogo de classificação “T” com o Super-Homem e o Batman. Não dá para se distanciar mais de Mortal Kombat do que isso. Então faz sentido voltar às nossas raízes com o 2D, os Fatalities, o sangue, os personagens, a história, o universo, e é como se estivéssemos recomençando a série. É um começo novo, e acho que estamos indo bem.

Fatalidade
Kotaku BR: O gênero de luta tem uma cena competitiva muito forte, mas os jogos usados são principalmente os da Capcom, como Street Fighter IV, e um pouco de Tekken. Você acha que Mortal Kombat tem algo a oferecer para esse tipo de jogador ou não é um jogo muito sério nesse sentido?
Hector: Sim, com certeza, é o que a gente espera. Na verdade nós fizemos o jogo com esses jogadores hardcore em mente. Obviamente, não queremos fazer o jogo tão complexo como alguns outros que existem por aí, que tem algumas nuances e outras coisas difíceis de pegar, mas temos de manter esse equilíbrio entre algo que seja acessível, que qualquer um possa pegar, dar uns golpes, e algo mais profundo para esse outro tipo de público.
Convidamos vários jogadores de torneio para vir ao estúdio jogar o novo Mortal Kombat, e eles disseram que o jogo tem uma boa profundidade, uma vida útil excelente e vários sistemas interessantes. E nós podemos também ir ajustando os modificadores de dano para os golpes. Se percebermos, por exemplo, que os jogadores online só pegam o Sub-Zero porque ele tem um combo overpower, ou que algum ataque dá dano de menos ou de mais, podemos lançar um patch mínimo para esse ou aquele golpe, livrando o jogador de fazer um download muito grande.
Estamos bastante animados com esse sistema porque nos leva um pouco de volta à época dos arcades, onde era comum fazer várias revisões nas máquinas para corrigir pequenos problemas. Acho que com esse tipo de coisa vamos conseguir agradar também o pessoal mais hardcore.
Além disso, o jogo vai estar presente nessa edição do EVO, um dos maiores torneios do mundo, como atração especial. É claro que os organizadores não dariam esse voto de confiança se não achassem que o game tem tanta qualidade quanto Street Fighter e esses outros. Com sorte, tudo vai bem.
Kotaku BR: Quais são os planos para DLC (conteúdo extra via download)?
Hector: Nós teremos DLC depois do lançamento, mas por enquanto estamos focando só no conteúdo básico para ter certeza de que ele vai ser o mais completo possível. Acho que é injusto com os consumidores passar esse tempo de desenvolvimento criando coisas que vamos lançar só depois via download, por isso queremos nos concentrar no disco. Nós temos planos para ter mais personagens por DLC para que as pessoas sempre tenham algo mais para esperar.
Kotaku BR: Qual o seu personagem e o seu Fatality preferidos?
Hector: Cara, que pergunta difícil… o meu personagem favorito, acho que é um empate, depende de com quem eu estiver jogando. Mas eu gosto muito do Reptile, eles tem uns golpes muito legais. Já do Fatality eu não posso dizer, porque é de um personagem que ainda não foi anunciado. Mas desses que já estão aí, o que eu mais gosto, o que eu faço sempre, é aquele do Kung Lao em que ele joga o cara no chão e corta ele no meio. Eu gosto porque é curto, é direto, tem impacto e mostra que estamos levando as coisas a sério.
Kotaku BR: Onde foi feito o processo de localização: aqui no Brasil ou nos Estados Unidos?
Hector: Nós contratamos uma empresa que faz traduções para várias línguas, mas não sei exatamente onde ela fica. Obviamente eu tive de fazer uma forcinha para que a versão em português saísse, mas acho que valeu a pena. As pessoas estão gostando bastante e estamos felizes de ter tomado essa decisão. Esperamos que essa seja a primeira de várias iniciativas para mostrar o quanto respeitamos e amamos o público brasileiro.
Kotaku BR: Existe algum brasileiro na Netherrealm?
Hector: Na verdade, o Paulo Garcia, um dos designers chefe, é meio-brasileiro – o pai dele é brasileiro. E ele fica sempre com inveja quando a gente vem pra cá, mas com sorte talvez consigamos trazê-lo também. Quanto mais as pessoas conhecerem e tiverem essa sede por Mortal Kombat, mais oportunidades vamos ter de visitar o Brasil. Eu adoraria que ele viesse visitar a terra da família. Ele sempre fica com uma baita inveja.
Kotaku BR: Nos anos 90 existiam limitações técnicas, mas agora vocês podem fazer o jogo mais sangrento de todos os tempos. Houve algum momento em que alguém disse: “Não, menos sangue, menos violência, vamos dar uma amenizada”?
Hector: Não, ninguém nunca disse esse tipo de coisa. Tivemos essa discussão por dois anos e o nome disso foi MK Vs. DC Universe. Mas aqui não tivemos nenhuma barreira, nenhum limite. Foi um grande impulso criativo para tentar criar o jogo mais sanguinolento possível – e acho que as pessoas estão curtindo. Mas se fosse só sangue, sem uma mecânica interessante, não adiantaria nada. Então estamos mantendo esse equilíbrio para garantir que o game seja divertido e que haja a maior quantidade de sangue possível.

Kotaku BR: Você começou como beta tester e hoje é produtor. Qual o conselho que você daria para quem quer seguir nessa carreira, principalmente no Brasil?
Hector: Infelizmente isso é um pouco mais difícil no Brasil porque as grandes publishers não têm escritórios de desenvolvimento por aqui. Mas do que eu vi durante as minhas cinco visitas conhecendo novas pessoas e novas equipes que estão desenvolvendo sozinhas, fazendo tudo do jeito indie hardcore com os amigos, em casa e lançando suas demos, o que eu posso dizer é sigam em frente. Continuem trabalhando e dando um jeito de fazer demos e coisas do tipo porque um dia a pessoa certa vai ver e querer bancar o desenvolvimento. O Brasil é um país de sei lá quantos milhões de habitantes [190,7 milhões, segundo o último Censo] e está cheio de pessoas muito talentosas e apaixonadas. Cada vez mais vocês estão tendo acesso às ferramentas necessárias e ficando equiparados ao resto do mundo em termos de programas e escolas técnicas. É só uma questão de tempo até que apareça algum jogo Triple A produzido no Brasil, e eu mal posso esperar por isso. Eu realmente quero ver o que vai acontecer.
[Fotos: Hector Sanchez, produtor do novo Mortal Kombat - Renato Bueno/Kotaku Brasil]


Esse jogo já é um marco, é o jogo de luta mais violento de todos os tempos, o mk2 q antes era o mais violento parece censurado perto desse novo mortal kombat
É muito bom ver q mortal kombat não só recuperou sua identidade como tb recuperou o título de jogo de luta mais violento, e ve-lo novamente em campeonatos demonstra q a seriedade do balanceamento tb voltou
Realmente será um grande jogo, mas, eles poderiam incluir o PC nesse primeiro release, isso foi muito insjuto, ainda mais usando a Unreal Engine não seria necessário grandes mudanças para fazer uma versão para o PC.
PC ta meio esquecido realmente — por isso comprei o PS3.
Perderia a essência um MK no PC…. Coisa estranha rsrsrsrs
Pq estranha se você pode usar um controle O.o, qual a diferença?, Unreal Engine sempre foi focado para PC vide Unreal Tournament
sabe pc nao tem tantos jogos de pc como antigamente? PIRATARIA!
o dia q os PCistas pararem de baixar os jogos e compra-los a plataforma PC voltará com tudo!
oh realy?
tem 10 anos que o jogos de pc estão morendo.
Já ouviu falar do STEAM?
O Steam é um meio facilitador para que os jogadores honestos comprem seus jogos, mas isso não impede a pirataria.
O problema da Steam é que: Atualmente precisa de um cartao de credito internacional, muitos jovens (13 ~16 anos) não tem isso, logo fica impossivel para eles comprarem, quando tiver uma Steam nacional que aceite boleto etc, talvez a pirataria diminua..
ainda bem q n tem pirataria no xbox 360,ps3,wii,ps2,nds,psp
Se você for comparar proporcionalmente. A pirataria nos consoles, a nível mundial, é praticamente inexistente comparada com a dos PCs, não tem como não concordar.
concordo.
Estou até emocionado de ver o esforço que essa galera tá fazendo pra trazer Mortal Kombat de volta. É algo muito bonito de se ver.
Um personagem da Nintendo que realmente combinaria com MK seria Captain Falcon.
É o único da Nintendo que chega perto do nível de um lutador do MK, provavelmente.
Não fale assim. O Bowser seria casca grossa. LITERALMENTE.
Eles poderiam incluir o PC após alguns meses, mesmo que fosse apenas via distribuição digital.
Ninguém quer matar um jogo tão bem preparado e jogar aos leões da pirataria. Você daria seu filho aos leões?
O fatality preferido do cara é de um lutador não confirmado ainda
Façam suas apostas
A minha, nao tem como, tem que ser o kabal eu sou muito fã do cara, to ansioso pra ele ser comfirmado
Acho que é do Cyber Sub-Zero.
Mal posso esperar.
Sou muito fã de MK, estive ao lado da série mesmo com os jogos considerados ruins pela maioria (e que são bons, não tão bons quanto esse, mas são jogos legais e tem uma ótima história.
Não estou aguentando de excitação com esse MK. Vou praticamente abdicar de jogar qualquer outro jogo quando ele sair… vai ser foda demais.
Realmente, o que estão fazendo com a série é brilhante.
To com tigo lucas. Pra mim MK é o UNICO jogo de luta que ja me prendeu na frente de um video-game. Nunca consegui jogar outros jogos.
Odeio ser chato, mas acho que já chega de tanto hype em cima desse novo MK. Espectativa demais acaba estragando o jogo.
Tudo que a gente precisava saber já foi mostrado ou dito, agora lança logo a droga do jogo que eu quero ver na minha mão se realmenta ta isso tudo!
O game está prestes a ser lançado e vc me dá uma dessa ?! Vai Jogar COD Rapa !
O.o
Nem gosto tanto de games. Só dou valor dar uns golpes aqui e ali, nada mais que meia hora. Mas gostei pra caramba da entrevista! Parabéns Kotaku BR, sem nenhuma hipocrisia. Eu sei que o cara tava no Brasil e tudo, mas mesmo assim, o cara é o produtor então, gostei pra caramba da matéria e da entrevista.
Show de bola…
Muito boa a entrevista. Tô muito animado com esse MK. O jogo já me ganhou pelo demo (curto mas intenso), e consequentemente, entrou na minha lista de futuras aquisições.
Chega de SSFIV e MvsC, Mortal Kombat vai ser o jogo de luta da geração.
Ótima entrevista. Esse cara é um ícone na série MK!
Cacete, como esse cara é legal!
Estou muito empolgado pra conseguir a minha cópia assim que lançar! Sou fã da série desde os fliperamas! E embora tenha jogados todos até então, realmente tava faltando aquele espírito de MK que tínhamos até o MKIII. Então que venha, essa expectativa é ótima. O demo é muito bom mesmo.
E parabéns Kotaku pela entrevista, ótima.
Joguei muito a primeira trilogia do MK. Depois perdeu muito a identidade e eu desencanei. Agora, finalmente, estou empolgadíssimo para jogar esse jogo.
estou exatamente na mesma situação
Ainda custo a acreditar que conversei com ele no Gameworld. Bora Brasil!!
Esse Hector é um daqueles caras que só de ver as fotos e ler as entrevistas você ja simpatiza com ele na hora. Da pra ver que o cara tem um respeito gigantesco pelo Brasil e isso me deixa feliz pra caramba. parabens pela entrevista galera.
PArabéns pela entrevista, Kotaku…
E vou comprar a versão nacional, localizada, mesma que seja mais cara só pq o cara acreditou no Brasil:
[...] o GameWorld 2011, dissemos ao produtor Hector Sanchez que gostaríamos muito de ver o novo Mortal Kombat sendo lançado para o [...]
Estou torcendo pra que continuem investindo na jogabilidade mais técnica, vai reforçar a imagem em campeonatos e se valorizar, poderia até fazer crossover com Street Fighter e Tekken, daí sim haveria momentos: “Não, menos sangue, menos violência, vamos dar uma amenizada”?
Ia ficar menos dependente de fãs que só querem jogar pra ver fatalitys, ia ser uma prova de fogo: será que a NRS consegue emplacar um jogo sem apelar pro sangue explícito? Com enredo, gameplay e extras como os outros jogos fazem?